O Acordo Ortográfico assinado por oito países lusófonos, cujas normas
nosso presidente já pôs em vigor, tinha duas finalidades principais: a
busca de uma aproximação da escrita praticada nos oitos países e a
simplificação de suas regras.
As duas tarefas devem ser
consideradas como metas a se atingir por um processo de aperfeiçoamento
constante, haja vista a complexidade que as envolve. Não se pode pensar
no Acordo como fato consumado, primeiro porque é necessária sua
implementação por todos os países signatários, o que ainda não
aconteceu. Segundo, porque em língua fato consumado convive com um
continuum de renovação e evolução permanente.
Temos conversado
com vários professores, jornalistas, estudantes e linguistas e notamos
uma decepção, ora muda, ora exaltada, ora calma, ora indignada, com
características de múltipla feição, porém de apenas um coração: "podia
ter sido melhor", ao que acrescentamos "pode vir a ser muito melhor".
Para
melhorar, precisamos acabar com as exceções, que desanimam estudantes e
professores. Não conheço um professor que entre tranquilo numa aula de
ortografia, por causa das exceções. E os estudantes, que somos todos
nós porque ninguém sabe ortografia neste País temos de gastar
fosfato para decorar, quando poderíamos estar ocupando nossas mentes
com assuntos mais interessantes e úteis.
Para melhorar,
precisamos inventariar nossos radicais e eliminar distorções como
vêlos grafados de maneiras diferentes, porque foram introduzidos
erroneamente em nosso idioma.
Para melhorar, precisamos
inventariar nossas palavras oriundas do árabe, do tupi, das línguas
africanas e definirlhes uma grafia específica, para todos os casos.
Por que aqui se usa g, ali, j, aqui se grafa ch, ali, x? Há que se
padronizar.
Para melhorar, talvez o caminho seja nenhum desses,
mas o de uma ortografia fonética, quem sabe as ideias que podem surgir
de um amplo debate nas universidades, nos jornais, nas academias... Há
universidades que já promoveram trabalhos nessa área e que pararam por
falta de reconhecimento e incentivo.
Para melhorar, precisamos,
isto sim, convocar a todos nossos congressistas, autoridades do MEC,
professores, lingüistas, jornalistas, escritores, estudantes, para um
debate contínuo e entusiasmado em torno da simplificação de nossa
maneira de escrever, para tranquilidade e bemestar de todos nós.
Para melhorar, entre no site www.acordarmelhor.com.br< a> mande seus dados e estará PARTICIPANDO desse NOSSO movimento.
Ernani Pimentel é professor, escritor, conferencista